segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Diferença de Idade


"depois mandou examinar os quatro pedacinhos
um para saber se eu tenho medo
um para saber se eu tenho dor
um para saber dos meus segredos
um para saber se eu sinto amor" (meu Gil)

(esse é o esboço de um outro texto que ainda vai ser, com mais elementos, é que estou com preguiça de escrever tudo e, ao mesmo tempo, anda me irritando demais pra não escrever ao menos uma coisinha) (contém generalizações que eu não vou ficar colocando “embora” a cada meia frase, mas leiam o embora e as exceções nas entrelinhas, por favor). Eu não entendo, mesmo, porque tanta gente passa tanto tempo problematizando a relação de homens e mulheres com diferença de idade, sendo o homem mais velho. É fácil saber porque eles preferem as mulheres jovens. Porque toda a sociedade as prefere, ora. Para apresentar telejornais. Para aparecer em desfile de biquini. Para trabalhar na recepção da clínica. Para ilustrar o jornal do sindicato. Para ser (tão aí as plásticas, maquiagens, academias, etc. pra isso, né). E para trepar, como não? Homens de 70 preferem moças de 17, 18 anos. Sim. E os de 60, e os de 50, e os de 40…e os de 17 e os de 13. Desejo não é uma vontade, mas como tudo que é humano, se enraiza e se nutre de cultura/linguagem/sociedade seja qual for o nome que você dê ao Outro. Nascemos imersos nesse caldo e é a partir dele que nos definimos e somos definidos. Os homens (mais) velhos preferem as mulheres jovens? Sim. Eu só não entendo a surpresa. Ai, mas porque eles preferem as novas porque são mais fáceis de manipulaZZZzzzz. Além de conseguir ser condescendente e bancar a superior em relação com as mulheres mais jovens que podem, sim, responder por si mesmas, ess frase não conseguiu dizer nada além do óbvio. Os homens preferem mulheres dóceis, mas não só pra casar, viu. Pra ser secretária. Filha. Vizinha, Colega de trabalho. Etc. Tá lá no arquivo vizinho ao machismo/joveméqueégostosa.doc. Mas eles deviam “amadurecer” e entendeZZzzzzz. Gente não é fruta. Não tem nada de natural e automático no processo de escolha de parceiros ou interesses sexuais. De onde viria reconhecimento/amadurecimento/preferência por outro perfil se no outdoor, nos livros, nas propagandas, nos filmes, novelas, poemas, séries, ditados populares, canções e conversa de bar emerge o que é desejável, o que é bonito, o que é o bom: ser jovem, ser jovem, ser jovem? De preferência com um determinado formato de corpo, de determinada cor, de determinada classe, mas se nada disso for possível, pelo menos seja jovem, jovem, jovem? Ai, mas ele diz que é feminista. E pode ser, ué. Tá mais do que na hora da gente sair desse apontar de dedos individuais e passarmos a nos dar conta desse discurso em que estamos submersos. A mudança não passa pela cama das pessoas mas pode, um dia, chegar lá. #FikaDika


Tem umas coisas das quais sinto ciúmes e aprendi, estou aprendendo ou tenho que aprender a repartir (risos). Não são as coisas/pessoas/referências que eu amo, necessariamente. Chico, Bethania, musicais, Canoa Quebrada, Carmen, e muitos outros que não vou me deter listando, moram no meu coração, na minha memória afetiva, organizam quem eu sou e me definem, mas não sinto uma dorzinha no peito quando falam delas, sempre achei previsível que muitos amassem, citassem, se desenvolvessem ao redor de. É de outra ordem, sabe. Coisas, pessoas, referências que não esperei ver aparecerem além de mim. Compreendidos de uma forma que não é a minha.

Gilberto Gil, por exemplo, devia ser só meu.

Vocês viram a entrevista linkada aí em cima? Tão meu, tão meu, tão ele vivendo o tempo de um jeito tão ai, ai.



Eu perguntei no FB: vocês chamam todo tipo de psicoterapia de análise? caso não, quais os requisitos que você usa pra identificar um processo como análise? (e rendeu uma conversa boa). Eu tenho andado curiosa com isso. Como expliquei por lá, no meu tempo (fim dos anos 90 e começo dos 2000) as pessoas chamavam tudo de terapia. Inclusive as análises. E eu, que estava ali, mergulhada naquilo, reconhecia os processos e “linhas” pelas descrições das técnicas. Era meio fácil saber quem tava em análise. Daí eu me desliguei. Saí da clínica, fiz mestrado em administração, fiz concurso pra professora DE, etc. Saí do meio. E ele voltou pelas redes sociais. Novos amigos, de outros lugares. E as pessoas dizendo: "quando minha analista conversou comigo", "tava mal aí telefonei pra falar com meu analista", "aí minha analista me abraçou", "meu analista me deu esse presentinho no natal"…e eu ficando encafifada. Falei com a Renata e ela me deu o toque: Lu, as pessoas chamam tudo de análise mesmo. E eu: ok. Mas desde quando? Ou onde? Ou, escarafunchando mais, porquê? (especialmente se me respondem que é pelo status, mas, ué, de 90 pra cá o discurso a psicanálise morreu, não serve pra nada só tem crescido…). E é isso, tenho perguntas. E tenho saudades.

Para mim. Do lado de lá, o tudo dizer. Do lado de cá (embora aqui eu não mais esteja): uma ética. O resto, condições. O que não os faz menos importantes, mas os coloca em dinâmica indagação.  


2 comentários:

BethS disse...

você tem o meu amor...
mesmo longe, mesmo sem a gente se visitar com frequencia, eu tou aqui, e leio você e entendo você.
beijo grande

Isa disse...

Tu estudaste psicologia? Onde? Que linha? São incríveis as sincronicidades desta vida... :)

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